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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

1001 noites - O PESCADOR É O GÊNIO

Havia um pescador muito velho e muito pobre que mal conseguia ganhar dinheiro para não deixar morrer de fome sua mulher e seus três filhos. Todos os dias, de madrugada, ele saía para pescar. Lançava sua rede ao mar quatro vezes.

Um dia, numa noite de lua, foi até a praia. Tirou a roupa, entrou na água e lançou a rede. Quando a puxou, sentiu resistência. Pensou: “Desta vez, fiz uma boa pescaria!” – e ficou muito contente. Porém, quando foi ver o que estava nas malhas da rede, notou que não passava de uma carcaça de burro, e passou da alegria à mais completa tristeza.
O pescador, então, costurou a rede, que tinha-se rasgado com a carcaça, e a lançou de novo às águas. Ao puxá-la, sentiu grande resistência e concluiu:

— Ah, desta vez minha rede está cheia de peixes!

sábado, 25 de junho de 2011

PREDADORES PSÍQUICOS - POR RENATO MEZAN



Publicado no Caderno Mais, da Folha de São Paulo, em 22 de março de 2009

NA ÁUSTRIA, EM PERNAMBUCO OU EM SP, ABUSADORES SEXUAIS PARTILHAM DA MESMA IDENTIFICAÇÃO MALIGNA COM A MÃE E DA INDIFERENÇA PELO OUTRO

Renato Mezan*, colunista da Folha

Os casos de pedofilia e incesto recentemente noticiados pela imprensa -a menina engravidada pelo padrasto em Alagoinha (PE), o austríaco que manteve presa sua filha por mais de 20 anos e com ela engendrou sete filhos/netos, a rede criminosa baseada em Catanduva (SP)- provocaram repulsa e horror em todos os que deles tomaram conhecimento.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

AUTISMO E FANTASIA

O autismo é mais uma dessas patologias que tem uma representação como "um mundo à parte", um refúgio imaginário seguro. Visto de perto, na clínica, ele não é nada disso e até o contrário: trata-se de um sujeito que vive a incapacidade de fantasiar, é alguém preso à materialidade da realidade.

O autista vive sem fantasia, o fato de que manipule brinquedos ou mesmo que pareça brincar com objetos não faz dele realmente capaz de brincar. Seus circuitos de ação, nos quais giram, sacodem ou se satisfazem contemplando um mecanismo, são tão vazios de conteúdos imaginativo quannto de variações.

Tudo o que a fantasia tem de surpreendente, inventiva, seu caráter de viagem, de teatro de improviso, está ausente nesses rituais autistas. A confirmação de um circuito de satisfação, através do gesto repetitivo, e o fechamento para qualquer novidade de constitua uma interrogação à qual não saberia como responder são o objetivo de sua preferência.

A fantasia vai na direção contrária disso por seu caráter de viagem sem bússola, de contrabandista de enigmas que nos interrogam.

Trecho do livro: A Psicanalise dna Terra do Nunca. Ensaios sobre a fantasia (Diana e Mariio Corso) p. 257.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

WINNICOTT

Winnicott cria os conceitos de fenômeno e objeto transicionais a fim de compreender o processo de transição da dependência absoluta da criança em relação à mãe (vista como um objeto subjetivamente concebido) à conquista de uma relativa independência (onde a figura materna se localiza além do controle onipotente). Preocupou-se em não alienar em campos distintos terapeuta e teoria, tendo como objeto a relação humana com o saber instituído, mais particularmente, o relacionamento entre o psicanalista, o modelo teórico por ele adotado e a prática clínica.
Os conceitos de setting, holding, aliança terapêutica, são criações psíquicas que não podem ser avaliados em termos físicos apenas, pois pertencem àquela área intermediária que Winnicott denominou de espaço potencial.
O espaço analítico é um espaço relacional, um espaço de mudança, criado a partir da inter-relação dos elementos existentes neste espaço - do analista que aceita e deseja a responsabilidade de criar este espaço de convivência dentro de um contexto, utilizando fio condutor e do analisando que aceita compartilhar este espaço e o modifica através de sua participação, produzindo uma dinâmica na qual ambos mudam.

A Psicanálise na Terra do Nunca

A revista Crescer traz um Teste interessante baseado no livro Psicanálise na Terra do Nunca do casal Corso. A idéia é super criativa, através de algumas perguntas, que nos fazem refletir sobre o convívio familiar, pode-se ver com qual família da TV a gente se parece. Eu já fiz o meu teste...
Link do teste:
http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI203068-17759,00-A+SUA+VIDA+NA+TV.html

Diana e Mário Corso são graduados em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde se conheceram. Eles são especialistas no campo da psicanálise infantil e de adolescentes. Sua obra anterior, Fadas no Divã, dedicava-se à análise dos contos para crianças, no mesmo estilo do célebre psicólogo austríaco Bruno Bettelhelm.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

ALIENACIÓN EN LAS PERVERSIONES

M. MASUD R. KHAN


EL PAPEL DE LAS EXPERIENCIAS CORPORALES PERVERSO-POLIMORFAS y DE LAS RELACIONES OBJETALES EN LA INTEGRACION DEL YO

1 Sobre un tipo especifico de emocionalidad que se manifiesta en las caracteropatias esquizoides

En "Clinical Aspects of the Schizoid Personality" (Khan, 1960a), traté de bosquejar un cuadro clínico general de un tipo esquizoide de caracteropatía. En este capítulo examinaré una faceta especial de estos pacientes, es decir, una emocionalidad y afectividad latentes que se expresan a través de experiencias corporales perverso-polimorfas y de relaciones objetales, y pondré el acento. en el papel y la patología de dichas relaciones corporales perverso-polimorfas. Abrigo la esperanza de demostrar que éstas derivan de perturbaciones específicas en la relación madre-bebé, las cuales provienen a su vez de rasgos patógenos en la personalidad de la madre.

O RANCOR DA HISTÉRICA[1]

M. Masud R. Khan

[1] Este texto é um capítulo do livro Passíon, solítude et 'olíe, Paris, Galli- mard, 1983; e foi traduzido por Monica Seincman.

Em todas as culturas, a histérica vestiu urna máscara que reflete tanto a moralidade manifesta quanto às aspirações sexuais mais escondidas do ethos da época. É por isso que foi tanto identificada a uma feiticeira e queimada, quanto santificada e glorificada. Foi apenas no final do século XIX que Charcot estabeleceu o estatuto da histérica, nela reconhecendo urna síndrome clínica específica, digna de atenção. N o entanto, na condição da histérica, o próprio Charcot não via mais do que uma exibição psiquiátrica espetacular. Deveria incumbir, ao gênio de Freud definir a natureza e o caráter deste mal. E Freud conseguiu, respeitando a "resistência" da histérica de ser conhecida tanto quanto sua recusa e sua má vontade em cooperar em seu próprio tratamento. Freud (1895d) postula que o não-saber da paciente histérica era, na verdade, não-querer saber; concluiu que havia aí "um não-querer que bem poderia ser mais ou menos consciente". Todos sabem que Freud atribuiu inicialmente este não-saber a episódios de sedução sexual real na infância antes de relacioná-los a fantasmas de sedução recalcados que o paciente expressava, no presente, através de urna linguagem somática, mas do qual se recusava psiquicamente tomar consciência.


Ao longo da história, a sexualidade bizarra das histéricas foi estigmatizada como constituindo o traço característico de sua personalidade. O novo, na abordagem freudiana, foi que ao determinar a etiologia dos sintomas histéricos, Freud destacou o papel predominante e quase exclusivo da sexualidade infantil, o que modificou completamente a maneira de abordar o problema. Não era mais necessário maltratar o histérico, considerando-o um mentiroso psicopata ou um gozador depravado, mas sim um indivíduo que tentava encarar as experiências que aconteceram durante seu desenvolvimento inicial, que, por um lado, estavam ultrapassando largamente os meios da personalidade incipiente e para os quais, por outro, encontrava, em sua infância, apenas urna pequena compreensão em seu meio.

A subjetividade exterior

Jurandir Freire Costa


No Círculo Psicanalítico do Rio de Janeiro.

(...) Em primeiro lugar, porque o termo globalização é suficientemente vago para funcionar como “causa” teórica ou empírica do que quer que seja. Em segundo lugar, porque não acredito que mudanças nos hábitos mentais dependam de fatos históricos recentes. Uma coisa é dizer que transformações nas formas de vida acarretam mudanças subjetivas; outra é postular relações causais entre fatores econômico-ideológicos e alterações da subjetividade das quais são contemporâneos.

A primeira afirmação se contenta em dizer que o sujeito é uma realidade psíquica histórico-cultural e não “algo” invariável no tempo e no espaço; a segunda quer estabelecer relações teóricas de antecedência causal insustentáveis por duas razões. Número um, a realidade subjetiva não pode ser pensada como “efeito” logicamente independente de causas sociais. O sujeito exprime, sem dúvida, as formas de vida dominantes. Mas não a modo de “efeito” referido a “causas” que lhes são exteriores. Dizer, nesse contexto, que o sujeito “exprime” qualquer coisa significa dizer que ele é “expressivo”, que é um ponto de condensação peculiar dessas formas de vida, e não um aspecto do viver sócio-cultural conectado, de modo externo e mecânico, a outros aspectos.

Em segundo lugar, as mudanças na subjetividade relevantes para a psicanálise requerem transformações culturais em longuíssimo prazo. A reestruturação das sensibilidades e julgamentos no campo dos afetos é complexa, pois é nela que se ancora a estabilidade das identidades pessoais. Não substituímos repertórios emocionais como substituímos camisas. Pelo menos é isso que podemos extrair dos estudos dos historiadores das mentalidades, antropólogos, sociólogos, psicólogos sociais etc.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

CONTOS DE FADAS

A literatura, em suas diferentes formas é capaz de transmitir e despertar emoções nas crianças e também em adultos, porque entre um conto e outro este nos passa algum valor a ser seguido de maneira sutil, como; amor, bondade solidariedade, esperança, amizade, promovendo uma maior aproximação entre pais e filhos.
Os contos de fadas podem servir de mediadores na formação de valores nas crianças, conservando neles até a fase adulta, o sonho de manter acesa a chama colorida da infância.
O interesse pela fantasia começa muito cedo, não há infância sem fantasia, e a fantasia se nutre da ficção, daí não haver infância sem ficção.
No seu livro, A Psicanálise dos Contos de Fadas, Bruno Bettelheim relata e explica através dos contos o impacto psicológico de situações em acontecimentos onde envolvam a criança mostrando a visão infantil a cerca de determinados assuntos.
Contos de fadas não necessitam ter fadas, mas precisam ter algo de extraordinário, encantador. Os contos tem em comum com os mitos o fato de não terem propriamente sentido, são estruturas que permitem gerar sentidos, daí qie toda interpretação será parcial.
O que fica de importante num conto para a criança é o que ele faz reverberar em sua subjetividae, aliado ao fato de como chegou até ela. Os contos de fadas consagram e contemplam uma forma arcaica e tradicional de sociedade. Um dos aspectos da magia presentes nos contos de fadas é a forma que os leitores encontraram de liberar os contos de seu próprio discurso.
O conto não é um objeto imóvel, ele é (re)apropriado de várias maneiras, não é repetido ao infinito da mesma forma.
Embora as crianças continuem usando contos tradicionais para apoiar e elaborar seus conflitos íntimos, essas histórias não são as únicas que elas sabem de cor. Muitas histórias novas têm cativado as crianças. A modernidade apresenta questões diferentes das que envolviam nossos antepassados.